quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

TOQUINHO ESTE SEU OLHAR / CORCOVADO / SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ


TOQUINHO - ESTE SEU OLHAR / CORCOVADO / SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ
Este seu olhar quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar, é pensar que você
Gosta de mim como eu de você

Mas a ilusão quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou
Sonhou demais, ah! se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos

Um cantinho e um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar

Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor que lindo

Quero a vida sempre assim com você perto de mim
Até o apagar da velha chama

E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade meu amor

Vai tua vida
Teu caminho é de paz e amor
A tua vida
É uma linda canção de amor
Abre os teus braços e canta
A última esperança
A esperança divina
De amar em paz

Se todos fossem
Iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir, nem sofrer

Existiria a verdade
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você 


Só o amor, muda o que já se fez. E a força da paz junta todos outra vez. Venha! Já é hora de acender a chama da vida. E fazer a terra inteira feliz! Mensagem de Ano Novo de muita paz!

É preciso pensar um pouco nas pessoas que ainda vêm
Nas crianças
A gente tem que arrumar um jeito
De achar pra eles um lugar melhor.
Para os nossos filhos
E para os filhos de nossos filhos
Pense bem!
Deve haver um lugar dentro do seu coração
Onde a paz brilhe mais que uma lembrança
Sem a luz que ela traz ja nem se consegue mais
Encontrar o caminho da esperança
Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens
Se fazendo irmão e estendendo a mão
Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança
Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.
Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Quanta dor e sofrimento em volta a gente ainda tem,
Pra manter a fé e o sonho dos que ainda vêm.
A lição pro futuro vem da alma e do coração,
Pra buscar a paz, não olhar pra trás, com amor.
Se você começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança.
Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.
Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Inteira feliz ...


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Conto de Natal - Francisco Cândido Xavier

Conto de Natal

A noite é quase gelada...
Contudo, Mariazinha
É a menina de outras noites
Que treme, tosse e caminha...
Guizos longe, guizos perto...
É Natal de paz e amor.
Há muitas vozes cantando:
?Louvado seja o Senhor!?
A rua parece nova
Qual jardim que floresceu.
Cada vitrine enfeitada
Repete: ?Jesus nasceu!?
Descalça, vestido roto,
Mariazinha lá vai...
Sozinha, sem mãe que a beije,
Menina triste, sem pai.
Aqui e ali, pede um pão...
Está faminta e doente.
-?Vadia, saia depressa!?
É o grito de muita gente.
-?Menina ladra! outros dizem.
-?Fuja daqui, pata feia!
Toda criança perdida
Deve dormir na cadeia.?
Mariazinha tem fome
E chora, sentindo em tormo
O vento que traz o aroma
Do pão aquecido ao forno.
Abatida, fatigada,
Depois de percurso enorme,
Estira-se na calçada...
Tenta o sono mais não dorme.
Nisso, um moço calmo e belo
Surge e fala, doce e brando:
- Mariazinha, você
Está dormindo ou pensando?
A pequenina responde,
Erguendo os bracinhos nus:
- Hoje é dia de Natal,
Estou pensando em Jesus.
- Não recorda mais alguém?
E ela, a chorar, disse: -Eu
Penso também com saudade,
Em minha mãe que morreu...
- Se Jesus aparecesse,
Que é que você queria?
- Queria que ele me desse
Um bolo da padaria...
Depois de comer, então
- E a pobre sorriu contente
Queria um par de sapatos
E uma blusa grande e quente...
Depois... queria uma casa,
Assim como todos têm...
Depois de tudo... eu queria
Uma boneca também...
- Pois saiba Mariazinha,
Eu lhe digo que assim seja!
Você hoje terá tudo
Aquilo que mais deseja.
- Mas, o senhor quem é mesmo?
E ele afirma, olhos em luz:
- Sou seu amigo de sempre,
Minha filha, eu sou Jesus!...
Mariazinha, encantada,
Tonta de imensa alegria,
Pôs a cabeça cansada
Nos braços que ele estendia...
E dormiu, vendo-se outra,
Em santo deslumbramento,
Aconchegada a Jesus
Na glória do firmamento.
No outro dia, muito cedo,
Quando o lojista abre a porta,
Um corpo caiu de leve...
A menina estava morta.
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Antologia Mediúnica do Natal. Ditado pelo Espírito Francisca Clotilde.
via  reflexão espirita * * * Estude Kardec * * *

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"Jeitos" diferentes de aprender


Marlene Fagundes Carvalho Gonçalves
de Ribeirão Preto, SP

A questão da importância do convívio social para o progresso e evolução das pessoas, tem sido amplamente tratada nos meios da Educação; como também na Doutrina Espírita, quando então soma-se a isso o fato de se reconhecer as pessoas como Espíritos imortais.
Encontramos no Livro dos Espíritos¹ muitas passagens salientando o valor do contato social. "O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer porque não possui todas as faculdades: precisa do contato dos outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se estiola. Nenhum homem dispõe de faculdades completas e é pela união social que eles se completam uns aos outros, para assegurarem seu próprio bem estar e progredirem. Eis porque, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados." (perg. 768).
Na área da Educação, Psicologia e Psicopedagogia, muitos estudos têm surgido, buscando ampliar nosso conhecimento sobre como e porquê o aprendizado ocorre a partir das relações sociais que mantemos.
Alicia Fernández², uma Psicopedagoga argentina, tem trazido enormes contribuições para esta questão. Uma delas diz respeito ao seu estudo sobre as diferentes Modalidades de Aprendizagem, que são formas diferentes que cada um tem de aprender, construídas no decorrer de sua vida, a partir da sua relação com diferentes pessoas, que por sua vez, apresentam diferentes modalidades de ensinar, sem mesmo se dar conta disso.
Vivemos num mundo de relações sociais, sendo que tudo que aqui aprendemos passa por um outro de alguma forma, ou pessoalmente, ou através de alguma "marca" que este outro fez: um livro, uma história, etc… Isso ocorre desde nosso nascimento, quando então passamos a fazer parte de uma família.
Nessa família circulam alguns modos de ensinar, de se lidar com as pessoas e crianças. Principalmente em relação ao desconhecido, àquilo que precisa ser descoberto, àquilo que está a espera de uma descoberta. Isso ocorre ainda na escola, como também num âmbito social maior.
Se se esconde, se exibe, ou se nega que há algo a ser descoberto, a procura e o prazer por essa descoberta ficará dificultada, e por vezes, até impossibilitada.
Devemos procurar nos perguntar, na nossa relação diária com as crianças, quando elas nos fazem uma pergunta sobre qualquer fato ocorrido, como respondemos? Que tipo de coisas escondemos delas? Que coisas respondemos com pequenas mentiras? E quanto a respostas extremamente técnicas com informações demais?
Quando mentimos, estamos ocultando aquilo a ser descoberto, talvez com as melhores intenções. Mas e as conseqüências disso?
Quando exibimos conhecimentos técnicos demais (por exemplo quando explicamos com detalhes biológicos e médicos a reprodução humana, com tantos termos que fica difícil à criança relacionar todos eles para fazer algum sentido a nossa resposta, quando o que ela queria era bem mais simples que isso), que conseqüências isto terá para a atitude dela de perguntar, quando novas dúvidas surgirem?
Quando se mostra alguma coisa (responde diretamente àquilo que é perguntado), guardando outras (aquilo que ainda não foi, naquele momento, objeto de atenção da criança), você abre o campo para que surjam novas perguntas, questionamentos, necessários para a construção do conhecimento, que se transformará no saber. Até porque não temos todas as respostas.
Alicia Fernández² diz que "a ‘fábrica’ dos pensamentos não se situa nem dentro nem fora da pessoa; localiza-se ‘entre’." Está nesse exercício do pensar, do perguntar, do trocar, do construir…
A partir destas experiências, a criança vai formando um jeito especial de lidar com aquilo que é desconhecido, e que ela vai aprender.
Acostumada a mentiras, ela pode desenvolver uma forma de pensar típica de quem não se percebe no direito de ter acesso àquelas informações; acostumada a ter informações demais sem estar pronta para aquilo, pode surgir o desinteresse…
Mas quando está acostumada com respostas que a levem a construir novos conhecimentos, estará pronta para seguir perguntando: O que? Como? Quando? Por quê?
Kardec sempre salientou a importância de um olhar curioso e crítico sobre tudo, exemplo dele mesmo em seu trabalho com a Codificação da Doutrina Espírita.
Não basta só estar junto às crianças para que este olhar se desenvolva, é preciso que estejamos atento sobre estas formas de ensinar, que adotamos cotidianamente, mesmo quem sem perceber.
O exercício de pensar sobre as questões das crianças, de escolher a melhor maneira de respondê-las, de ter esta atitude coerente durante toda a vida, acaba trazendo enormes benefícios para nós mesmos, pois implica mudanças na nosso própria forma de aprender, na nossa modalidade de aprendizagem.
Aprendemos a ser curiosos, a querer saber mais e buscar sempre a resposta que melhor nos satisfaça. Implica uma mudança íntima naquilo que de mais valioso temos: a possibilidade de crescer, de aprender, de nos tornarmos melhor, trazendo junto aqueles que convivem conosco.

Bibliografia:

  1. KARDEC, A. O Livro dos Espíritos
  2. FERNÁNDEZ, A. Os Idiomas do Aprendente, Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.
E-mail da autora: verdeluz.marlene@bol.com.br
(Jornal Verdade e Luz Nº 184 de Maio de 2001)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Parábola do Semeador - Você se encaixa?


"Eis que o semeador saiu a semear.
E quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na;
E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;
Mas vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.
E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, e sufocaram-na.
E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça".
(Mateus, XIII, 3 a 9).

"Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria".

(Paulo, II aos Coríntios, IX, 7).

Acima, colocamos um exemplo de como a palestra pode ser apresentada em uma lousa. A seguir, os comentários que podem ser feitos a cada item em destaque.
A Parábola do Semeador

Comece a explanação lembrando ao púbico que geralmente, quando temos contato com novos conhecimentos e princípios, a primeira atitude é tentar levar estas novidades aos nossos parentes e amigos íntimos. Isto porque gostaríamos que eles sentissem a mesma satisfação que estamos tendo. Porém, muitas vezes nosso próximo não entende os princípios como nós entendemos. Acham-nos irreais, complicados ou bons para ouvir, mas não para praticar.
Isso acaba nos desanimando. Mas há uma passagem evangélica, uma parábola, em que Jesus comenta esta situação e à luz da Doutrina Espírita passaremos a compreender por que isso acontece. Nas parábolas, são contadas histórias, geralmente com personagens típicos do ambiente do contador e ouvinte, com um fundo moral. Jesus utilizava muito deste recurso, pois poucos de sua época tinham a condição de entender o que ele dizia, devido à evolução espiritual deles. Ele mesmo afirma isso em Mateus, capítulo XIII, versículo 13 desta passagem. E existindo diferentes graus de evolução espiritual e de entendimento, cada um enxerga de uma maneira, e mesmo que queiramos fazer com que alguém compreenda algo à força, nossa tentativa será em vão. Tudo tem sua hora. Esta é a lei da natureza.

"Eis que o semeador saiu a semear.
E quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na;
E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;
Mas vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.
E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, e sufocaram-na.
E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça".
(Mateus, XIII, 3 a 9).

O semeador da parábola é Jesus. As sementes são seus ensinos, os quais são distribuídos ao mundo através das religiões.
A partir daí, o Mestre começa fazer um comparativo na maneira de ver e entender de cada pessoa, demonstrando as nuanças da personalidade humana.
As sementes que caem ao pé do caminho e que são comidas pelas aves do céu antes que nasçam simbolizam aqueles que, mesmo tendo a oportunidade de conhecer a palavra de Deus, não se importam com ela. Estão com o pensamento totalmente voltado para a vida mundana. Tudo que se relaciona a Deus ou à moral cristã é visto com desprezo. Jesus compara as aves aos Espíritos maus que aproveitam as más tendências destes indivíduos para os atormentar e inspirá-los a permanecerem longe do Criador.
Já as sementes que caem em pedregais, nascendo logo devido à pouca profundidade da terra, lembra os que conhecem a palavra de Deus e como que num passe de mágica, maravilham-se. Sua mudança de conduta é instantânea, chegando mesmo a ser radical. Tudo que fazem passa a ser voltado para Deus e qualquer deslize de atitude é um martírio.
Na verdade, retratam os seres que creram, mas não compreenderam os ensinos espirituais. Acreditam estar isentos de qualquer outra dificuldade em suas vidas, por estarem dedicando-se ao extremo no trabalho de Jesus. Porém, a existência não é assim, e logo virão as provas e expiações, necessárias ao nosso aprimoramento moral e intelectual. É o sol da parábola, que queimará aquela planta que cresceu sem que tivesse raízes profundas, ou seja, verdadeiro entendimento da vida e suas leis. A pessoa sente-se injustiçada por Deus, que, segundo ela, deveria evitar-lhe dores e dúvidas. E então, deixa por completo o trabalho espiritual e volta para sua descrença, não compreendendo que a natureza não dá saltos, e toda mudança abrupta tende a levar o ser ao ponto inicial.
A parte que caiu entre os espinhos leva àqueles que até escutam e entendem a palavra de Deus. Porém, os espinhos, que são suas preocupações excessivas com o trabalho material sufocam sua tentativa de entendimento e prática da caridade, afastando-os do conhecimento espiritual.
Finalmente, há a semente que cai em boa terra, cresce e frutifica. São aqueles que, compreendendo que a matéria não é tudo, buscam nos ensinamentos espirituais as respostas às suas dúvidas e o consolo às suas dores, fazendo da prática da caridade um hábito da existência.
Mas alerta Jesus que mesmo entre estes há diferenças de entendimento, pois alguns produzirão mais do que os outros. Caberá a cada homem saber se deverá dar trinta, sessenta ou cem por um. A consciência será seu guia.
Quem tiver ouvido de ouvir, ou seja, condição de entender, que assim o faça.

"Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria".
(Paulo, II aos Coríntios, IX, 7).

Para encerrar, comente esta passagem do apóstolo Paulo de Tarso. Ele lembra que aqueles que têm condições de trabalhar em nome de Jesus, fazendo algo em benefício do próximo, deve fazer de coração, e não por obrigação ou esperando uma troca com Deus. Verdadeiramente tem entendimento e faz parte da terra boa da parábola quem compreende sua função na Terra: Fazer ao próximo o quer que seja feito para si mesmo. Esta é a Lei, disse Jesus.

Copyright by Grupo Espírita Apóstolo Paulo

Amor de alma......






domingo, 9 de outubro de 2011

Todas as coisas têm dois lados....



Suponha que lhe aconteça o que me aconteceu. Recebi da Espanha um chaveiro de metal. Já era importante por ser um presente. Percebendo o peso e a cor, conclui sem pestanejar: é de prata!

Feliz da vida, coloquei nele as chaves do meu carro e passei a desfrutar da pequena jóia. Além do lado liso e brilhante, o outro lado trazia um baixo relevo, que o tornava verdadeira obra de arte. O prazer com que passei a usá-lo está na origem do que vim a sentir, meses depois.

Certa manhã, fui pegar o chaveiro de prata na garagem do meu prédio. Sabe, a necessidade de manobras... E foi então que recebi um choque. Não havia sido roubado, não! Talvez tenha sido pior. A parte de trás estava inexplicavelmente descascada! O amarelo vivo do latão acusava uma decepção. O desapontamento tomou conta de mim. Fiquei paralisado por alguns momentos. Aí olhei o lado da frente. Estava em ordem. Tive, então, um estalo. Olhar o lado descascado me causava desprazer, mas eu podia olhar o da frente e continuar gostando dele. A escolha era minha. Eu era responsável por me sentir bem ou me sentir mal. Já que os dois lados eram reais, seria tão honesto preferir olhar mais um lado do que outro. Eu não estaria mentindo para mim mesmo, se preferisse olhar o lado bem conservado; e me tornaria responsável por me sentir bem.

Comecei a perceber, então, que todas as coisas da vida têm dois lados. Um lado sombrio, desagradável, penoso. E outro claro, luminoso, colorido. Podia assim escolher, para vantagem minha, o lado que me conservaria sempre no melhor astral.

Por exemplo, o fato de ter furado o pneu do carro, coisa desagradável, é o lado sombrio; mas, pensando bem, isso só acontece com quem tem carro! É o lado luminoso e colorido do mesmíssimo fato. Você pode se dar ao luxo de ter de trocar o pneu de seu carro de vez em quando, pois, em contrapartida, ele lhe dá prazer e lhe presta serviço no resto do tempo.

Outro exemplo. Uma chuva inesperada impede você e sua família de saírem para um piquenique, como haviam planejado. É o lado sombrio. Mas, em compensação, você poderá ter tempo em casa, finalmente, para arrumar aquela torneira pingando ou para assistir a um filme no seu vídeo. Pode ser o lado luminoso.

Ou, ainda, alguém sofre um pequeno acidente ou contrai uma febre, ficando obrigado a ficar de cama. É o lado sombrio. O lado luminoso - e quantas vezes acontecido! - pode ser a experiência de repensar a vida; ou a de, finalmente, se dar conta de quanto é estimado e visitado pelos parentes e amigos, apesar de ter tido dúvidas, até então.

Um último exemplo. Seu patrão lhe chama a atenção com frequência, seus colegas de trabalho costumam ser competitivos e pouco amigos. É o lado sombrio. Você não se vai acomodar, é claro. Vai tomar providências cabíveis para que a situação melhore. Mas, por outro lado, você tem emprego, o que não é para se minimizar. Quantos gostariam de ter um!

Você poderia objetar em primeiro lugar: mas, esse não é o jogo da Polyanna? Não é o mesmo que mentir para si mesmo e fazer de conta, como quem esconde o sol com a peneira? Desde o início pode ter ficado claro que olhar qualquer dos lados é honesto, e que você é responsável pelo lado que prefere fixar. Olhando o lado bonito da vida, você não está escondendo nada, apenas está preferindo ser feliz. Qual é o mal?

Você ainda poderia dizer: mas isso é tão difícil! Será que alguém consegue pensar assim? Eu lhe garanto que é possível. Vamos concordar também que é difícil. Ora!

O que não é difícil, quando enfrentado pela primeira vez! Digitar numa máquina de escrever, dirigir um carro, aprender língua estrangeira, escrever corretamente o português, fazer tricô e qualquer outra coisa no mundo. Entretanto, seja o que for, você consegue dominar, com duas condições: ter a receita correta e treinar com perseverança.

Então, você também pode descobrir o lado colorido e mais real da sua vida. Nada o impede.

Autor desconhecido
Enviada por: Edeli Arnaldi